por Gregório Duvivier
Ivana tinha alguma coisa esquisita que, deitada na praia, parecia um cadáver. O mar revolto, o sol ardendo, e Ivana ali, cadáver. Não que fosse mórbida. Ou branca demais. Ao contrário, era morena, cintilante, e saúde pura, malhava até. Mas na praia, deitada, era cadáver. Nunca disse isso a ela. Nem a ninguém. Fui amigo dela e em seguida namorado e em seguida marido e em seguida amigo de novo e entre um e outro fui algumas vezes inimigo de morte. E em momento algum deixei escapar para Ivana sua verdadeira condição de cadáver.
Qual não foi a minha surpresa ao ver que Ivana morta tinha alguma coisa esquisita: achei que estivesse deitada na praia.