"A Mostra-PUC é um inferno." Qual estudante, aluno ou funcionário nunca disse essa frase? Quem nunca reclamou, na hora do almoço, o quanto são irritantes os adolescentes? Quem não quase gritou com raiva de tanta gente amontoada em um mesmo lugar? Todos. Todos nós, amantes desse belo campus, admiradores da natureza, fãs do café do Eruditus, degustadores dos pães de queijo do Fastway já clamamos pelo fim da Mostra-PUC.
O "não-freqüentador" da PUC deve estar se perguntando: "Mas o que é esse raio de Mostra-PUC? E por que causa tanta dor nas pessoas?" Pois vou lhes dizer. Essa é uma feira que acontece por cinco dias, nos meados de agosto, em que várias empresas do Rio de Janeiro se apresentam, divulgam-se e oferecem estágios para os estudantes. O problema é que essa feira é realizada dentro do campus da PUC e é fortemente divulgada. Assim, estudantes do Ensino Médio, universitários de outras faculdades e os alunos (principalmente calouros) da própria PUC comparecem em massa à Mostra. Assim, lotam todos os espaços em que nós (os não-freqüentadores da Mostra) almoçamos, passamos, estudamos, dormimos, conversamos, paramos, andamos e conseqüentemente, moramos. Todos os lugares ficam cheios de gente: o Pilotis, o Leme, o Frings, a biblioteca, os elevadores, as escadas, o bandejão, o Couve-Flor, os corredores, os banheiros etc.
Há situações que, se não fossem cômicas, seriam trágicas. Por exemplo: você, infelizmente, tem que atravessar o Pilotis para ir a uma aula, quando repara que há uma enorme fila que está caminhado para um destino desconhecido. Você pensa: "Hum, deve ser uma vaga de estágio oferecida por uma grande empresa." Você pára, se dá o trabalho de aproximar-se do último da fila e pergunta "Que empresa é essa?". Quando um ser, um adolescente, uma pessoa que tem vários horários livres em sua agenda, diz: "Eu não sei. Só sei que estão dando um brinde." Como assim? Como as pessoas param por uma hora do seu dia, causam um engarrafamento de pessoas em troca de uma canetinha? Não é para chorar?
Mas o pior ainda está por vir. Quando eu disse que há um acúmulo de pessoas em um pequeno lugar, não é exagero. Isso acontece por um único e freqüente motivo: a chuva. Por uma piada divida ou por uma terrível coincidência, em todas as mostras, ou em quase todas, chove. E não chove pouco, não. Chove e venta muito. Por que não? O campus já está lotado, por que não concentrar todas as pessoas e fazer da vida da população puquiana um inferno? É sobre isto que reflito durante cinco dias, ou melhor, durante os dois meses anteriores a mostra, pois sei que as lágrimas do tempo virão e transformarão esse verde e ensolarado campus em um verdadeiro hades.