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Eles estão entre nós


Eu estou dirigindo na estrada. É noite. A estrada está deserta. É quando, sem nenhum motivo aparente, eu vejo uma luz no céu. Eu... Eu não consigo me mover. O medo me domina, me paralisa. Eu sinto agonia, mas não de dor. Não consigo pensar, não consigo me mover. Eu... Eu não consigo me mover. O medo me domina, me paralisa. Eu sinto agonia, mas não de dor. Não consigo pensar, não consigo me mover. Meu primeiro instinto, mesmo estando incapaz de raciocinar, é de sair dali. De me livrar daquilo. Tento andar com o carro, mas ele não se move. Quando vejo, já é tarde demais. Tem uma luz em cima de mim e sinto que estou sendo puxado. Eu atravesso o vidro, mas o medo anestesia minha dor. Meu único pensamento ainda consciente é: Por que eu? Agora estou em uma sala. Há muita luz aqui. Fico na ânsia de tentar abrir os olhos para ver o que está acontecendo, no entanto, não consigo mantê-los assim por muito tempo. Socorro. Penso, não consigo falar. Está tudo acontecendo muito rápido. Um som quebra o silêncio. Sinto-me preso. Em uma cadeira. Minha boca está abrindo, mas não tem ninguém tocando nela. Tento evitar, só que é mais forte do que eu. O som agora se parece com vozes. De uma língua que nunca ouvi. Mas não parecem pessoas. Onde estou? As vozes pararam, mas não consigo distinguir se isso é bom ou ruim. Finalmente consigo abrir os olhos. Há seres. Eles são diferentes de mim. Um deles se aproxima da minha orelha. Nesse momento eu descubro o que é medo. Cada batida do meu coração demora uma eternidade de sofrimento e agonia para passar. De repente esse ser emite um som. Está mais para um grunhido. Agora eu vejo movimentação: O que está acontecendo? É meu último pensamento antes de os testes começarem. O silêncio e as vozes agora são substituídos por um horrível som de máquinas. Tem alguma coisa perfurando meu dente. Meu Deus, a dor! Eu rezo pela morte, para acabar com o meu sofrimento. Não é só o meu dente. Sinto meu sangue se esvaindo. Minha cabeça sendo perfurada. Também sinto minha pele sendo esticada. Quando se está em uma situação assim, o pior é a sua impossibilidade de reação. Ter que esperar para ver o que vai acontecer. Sem saber se vai estar vivo para ver qualquer coisa além disso. Quando sem mais nem menos, quase tão surpreendentemente quanto minha abdução naquela estrada, eu acordo. Eu acordo, mas percebo que daquele momento em diante nunca mais seria o mesmo. Foi tão real. Percebo que aquele sonho me mudaria para sempre de uma forma que eu nunca esperava ser mudado. E não, não vou contá-lo a ninguém. Será um segredo que sempre carregarei comigo. Porque, afinal, quem acreditaria que eu sonhei que era humano?


 

(Relato traduzido da língua Anthariana)

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº 6 : download PDF

 

 






 

 


 

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