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Construção

Osmar Filho





Quando um lúcido, claro dia

recai todo sobre a vida

espera-se com paciência

o ocaso que a noite

reinventa, organiza,

pois não há cristão que aguente,

a duração das certezas,

a dureza da alegria,

breve instante que promete,

a construção dos barracos,

de casas soltas, palafitas,

sobre o tempo erigidas,

escoradas por um prazo,

igual ao termo da vida,

pois não há alma que more,

longe, fora do meu corpo,

longe, fora do teu corpo,

sem ter por Deus companhia.

Chão das almas, chão de dunas,

move o branco das espumas

que se ergueram sobre o dia,

lúcido, claro, forte e curto,

como nuvem dada ao vento,

como o galo, que do canto,

borda a noite sobre o ocaso,

sobre as casas e o pensamento.

 

(Deus do céu não faz as casas,

Deus do céu não ponte visa,

Deus do céu não dá tijolo,

nem compara, quando canta,

a cigarra com a formiga.)


Esse texto foi publicado no plástico bolha nº31: download PDF

 

 

 






 

 


 

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