O cajueiro se esparrama
e acaricia o chão
com dedos retorcidos de desejo.
Não há delicadeza no desenho
ou na textura de suas folhas
mas parasitas laboriosas
aplicam refinados arranjos florais
em seus galhos rugosos.
Não é tempo de frutos
nem cabem ninhos
em sua fronde sem aconchegos
mas há sempre passarinhos
e amantes eternos
em sua sombra.
Sábio é o cajueiro
impassível a assistir
à passagem das flores
dos frutos
dos pássaros
e dos apaixonados.
Esse texto foi publicado no plástico bolha nº27: download PDF