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Poema do cajueiro

Carlos AA. de Sá


O cajueiro se esparrama
e acaricia o chão
com dedos retorcidos de desejo.
Não há delicadeza no desenho
ou na textura de suas folhas
mas parasitas laboriosas
aplicam refinados arranjos florais
em seus galhos rugosos.

Não é tempo de frutos
nem cabem ninhos
em sua fronde sem aconchegos
mas há sempre passarinhos
e amantes eternos
em sua sombra.

Sábio é o cajueiro
impassível a assistir
à passagem das flores
dos frutos
dos pássaros
e dos apaixonados.



Esse texto foi publicado no plástico bolha nº27: download PDF

 

 






 

 


 

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