querida minha,
chove muito nesta madrugada (é claro que ainda estou de pé. na verdade acabei de fazer café) e só queria dizer que penso em ti todas as vezes que estalo os dedos porque me lembro de que suas mãos são maiores que as minhas. e também lembro que quase nunca conseguimos ficar em silêncio, e que delícia — acho que só eu sei que você não suporta o silêncio. que pena que fui embora correndo daí, mas é que achei que alguém estivesse me esperando aqui. me enganei e agora quero voltar, quero tanto voltar. penso sempre em você caminhando e carregando o seu charme, e desengonço pelas ruas do 5ème, se bem que a esta altura você já deve estar caminhando em knightsbridge, enfim. quando será que te encontro de novo? preciso de ti pra sorrir. um brinde, como aqueles, loucos, com aqueles vinhos de 2 ou 3 euros que só a gente bebia, um brinde querida. saudades sempre.
B.
Esse texto foi publicado no plástico bolha nº27: download PDF