bem-vinda
ressarcir
engendrar
a toda hora
em todo lugar
nasce uma palavra
— bem-vinda!
quando perderes o sentido
esvoaça daqui
descansa em paz
Vento Vadio
às vezes vem um vento
e levanta a aba do pensamento
jogando meu chapéu
pra lá da possibilidade.

Prezado cidadão
colabore com a Lei.
colabore com a Light.
mantenha luz própria.
mirabel
você passa e fica
figura contra o sol
colada na retina
de repente quando
você me ultrapassa
fica a impressão
que se eu piscar o olho
presa você fica
você passa e brilha
farol na minha neblina
quando você passa
seu ectoplasma fica

Ópera de pássaros
A objetividade da fotografia é uma falácia.
Erra quem acha que ela retrata o real.
O que há é que quando o fotógrafo diz:
— olha o passarinho!!
Uma ave de asas oblongas sai de dentro da câmera
com uma paleta de cores e um embornal de pinceizinhos.
Sobrevoa a cabeça do fotógrafo... sobrevoa a cabeça do fotógrafo
e de lá, pinta a cena.
Em suma, a fotografia é uma ópera de pássaros.
deixa pra lá
sabe essas unhas do pé
que a gente tira com a mão
pra ficar brincando? pois é,
naquela loucura toda
perdi a que mais gostava

e as couves
e as couves de bruxelas?
quem
— a não ser eu —
ouve elas?
ninguelas
ninguelas
Esse texto foi publicado no plástico bolha nº27: download PDF