Eu que nunca fui marinheiro
tomaria um barco, envolto em visões
de países distantes, no ressoar do calor
náutico, cheirando a beira de cada mar do mundo
enquanto você me cruza a jato o coração, o coração
praia do leblon
Alice Sant'Anna
te ver no inverno
é como verter pela metade
meus pés afundados
na areia, às cinco a luz
é pouca: hoje é terça de tarde
e não me sinto de férias
nesse verão ao avesso
te dobro um barquinho
pra navegar no mar
Esse texto foi publicado no plástico bolha nº27: download PDF