Mulheres Emergentes
Neste número a coluna Bolhas Geraes abre espaço para o projeto Mulheres Emergentes, um mural poético que enfatiza o feminino nas artes e é coordenado pela poeta Tânia Diniz desde 1989. Quem é de Minas certamente já ouviu falar no projeto, agora é a vez dos leitores do Bolha conhecerem um pouco da poesia que emergiu ao longo destes anos todos de trabalho.
[veleiro noturno flutua]
Lívia Tucci
Veleiro noturno flutua.
A rede pesca estrelas
O mastro roça a lua.
Artefato nipônico
Adélia Prado
A borboleta pousada
Ou é Deus
Ou é nada
Luas
Tânia Diniz
Na lua nova
de recurvo brilho
a paixão renovas
No meu céu
de cio crescente
a chama alteia
E serpente e sereia
me encontro vindo:
lua cheia
E quando, bacante,
mesmo minguante,
me prendes a cintura
na quadratura de cada mês,
a cada vez,
desvendas com arte
a sanguínea face
de minha lua escarlate.
Depende
Zulmira da Silva Pinto
Às vezes
sou corda de aço
outras
corda de harpa
Depende
da mão que me alcança.
Canope
Denise Costa Almeida
uma multidão
de peregrinos
atravessa o canal
do meu corpo
tudo é preparado
para produzir
relaxamento e prazer
eu espero Estrabão
com um jacinto nos cabelos.
Violoncelo
Yeda Prates Bernis
No berço
De seu braço
Sons
Adormecem.
Quando despertam
Para a viagem
E aportam estrelas,
Até anjos estremecem.
[Vejo no céu]
Ana Carol Diniz
Vejo no céu
Trabalho de abelhas
Lua de mel!
Boto
Alzira Umbelino
Tuas mãos trançam
Em meu rosto
Chama e anseio
Tua voz clama
O verso
Face no espelho
Tua sede esculpe
Em meu corpo
A forma do desejo.
Mexer nos papéis
Lúcia Serra
Mexer nos papéis
Da memória.
Desarquivar
Os sentimentos
Que o corpo
Não ignora,
Rememora.
Vigília
Adriana Ferreira Melo
Vazia velejo
pelo meu ventre
entre o vão e o dente
versejo
vaga plena
em que (di)vago
e velo meu corpo
tantas vezes
(re)velado
A coluna Bolhas Geraes é dedicada aos nossos leitores e colaboradores mineiros, que, desde a edição #13, recebem o
plástico bolha em diversos pontos de Belo Horizonte. Envie também os seus trabalhos para
jornalplasticobolha@gmail.com