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Frida Kahlo


nunca pintei em tempos de abutres
sonhos tiranos de revolução,
ao contrário, com flores e agulhas,
palimpsexualizei as cores
repousando no meu corpo um prato
servindo magnólias, self-portrait;
tingi mulheres em alce alçadas
no pecíolo das frutas que a morte
serve descascando e colorindo
na minha cama em bacias metálicas
com o rabo dos olhos mirándome:
julgamento da naturaleza

viva: a verdade refinada
versões de variadas matizes
dançando na ponta do pincel,
flamenco de um só traço e trajeto
com uma castanhola retida,
a língua à míngua, um nó na língua
no solo da boca em convulsões
se debatendo monocromática
on canvas num charco de saliva


Esse texto foi publicado no plástico bolha nº26: download PDF



 






 

 


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