importante esperar pelo último minuto, pela dor inexplicável que nos fará jus à cruz que carregamos, invisível ferro, que gela nas artérias e antecipa o tiro. importante esperar pelo momento vazio em que a dor trespassa então por pouco e já não é mais dor, é tensão do mundo, enxergar sem rédeas o terreno aberto. não se colocar entre este e aquele século. seguir sem nome (pois o nome na pele) então engolir os séculos, regurgitar mais. para remexer o caldo fundo sob a terra aparentemente árida, de cerne difícil, e só então cuspir fora o sumo — dar o tiro.
Esse texto foi publicado no plástico bolha nº25: download PDF