Na última edição desafiamos nossos leitores a escreverem um poema que dialogasse com algum poema canônico. Drummond e bandeira seriam de longe os escolhidos pelos leitores para um bate-papo numa mesa de bar. Para o próximo mês, o desafio será escrever um poema narrativo, ou seja, além de lírico, ele deve contar uma história. Então, estão esperando o quê? Era uma vez....
Envie seu desafio poético para jornalplasticobolha@gmail.com
Desconstrução
Paulo Henrique Motta
Entrou no botequim como se fosse um pássaro
Pediu um “mé” que fosse bem mais aromático
Ergueu a aguardente como se fosse um lábaro
O
s breves goles só lhe deixaram mais trêmulo
Bebeu a aguardente como se fosse o último
Gole de anis, licor de hortelã ou de pêssego
Olhava pra uma senhora se achando o máximo
Piscava e paquerava em gestos nada lógicos
Queria ainda que o tratassem como o único
Cliente, porque se dizia muito assíduo
Foi posto para fora e ficou estático
Lançou depoimentos altamente apócrifos
Gritou, esbravejou e tropeçou nas sílabas
Falou muita besteira sem nenhum escrúpulo
Perdeu todo seu respeito feito um decrépito
E atravessou a rua extremamente bêbado
Sentou no meio-fio e debulhou-se em lágrimas
Morreu anos depois com problemas no fígado.