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Concerto Derradeiro

Marlon Riviero Franco


“Há um arbitrário implícito nestas ruas estúpidas:
o de que devemos prosseguir”
Diego Barreto Ivo, do falsário da irreconhecível pintura

Meu grande concerto é um planejamento amargo.
Em cada desvio, meu caminhar se deita
remoendo os outros desvios e o encargo
de não se desviar: há um sonho perfeito.

Na avenida principal, que é perfeitamente
infinita (sendo uma reta ou sendo cíclica),
há sempre o temor da falsa harmonia íntegra,
do falso movimento uniforme que tende

a zero, do suplício ao fim do beco escuro.
Há nas esquinas um convite a Epicuro,
um convite a remoer a onírica estrada

que se afasta em onírico desenrolar,
viva como o desvio da morte em cada andar
cada sangrenta e obscena fenda nos muros.



Esse texto foi publicado no plástico bolha nº24: download PDF

 

 






 

 


 

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