“Há um arbitrário implícito nestas ruas estúpidas: o de que devemos prosseguir”
Diego Barreto Ivo, do falsário da irreconhecível pintura
Meu grande concerto é um planejamento amargo. Em cada desvio, meu caminhar se deita remoendo os outros desvios e o encargo de não se desviar: há um sonho perfeito.
Na avenida principal, que é perfeitamente infinita (sendo uma reta ou sendo cíclica),
há sempre o temor da falsa harmonia íntegra, do falso movimento uniforme que tende
a zero, do suplício ao fim do beco escuro. Há nas esquinas um convite a Epicuro, um convite a remoer a onírica estrada
que se afasta em onírico desenrolar, viva como o desvio da morte em cada andar cada sangrenta e obscena fenda nos muros.
Esse texto foi publicado no plástico bolha nº24: download PDF