
O bordado da espera
Entre os dedos longos fios
escorregam desfiando
o tecido a ser traçado
a espera retocando
Desenhado à luz do dia
o traçado a ser tecido
as mãos ágeis decidindo
desfazer o seu destino
Costurando dia a dia
à espera faz-se o manto
tentando frear o tempo
ao novelo aprisionando
Quando a tarde traz a noite
o sol carrega consigo
a extrema ponta do fio
e assim desfaz o tecido
Sol-carretel anoitece
enrola o fio ao novelo
o tempo pára e concede
espaço espera enlevo
E com a manhã seguinte
desponta a ponta do fio
sol traz de volta o caminho
do bordado do tecido
Ela ao tecer incansável
isola o corpo no manto
constrói um fosso um abismo
pretendentes afastando
E enquanto borda a memória
na direção do marido
ele recolhe as pegadas
reconstruindo o caminho
E passam longos os dias
trama traçado tecido
à espera do encontro
desaprisionar o tempo
e tece o manto mais uma vez
como se fora a primeira vez