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Greco Blue

Eu, meu pai e o ator Jim Carrey viajávamos há horas em uma minivan. Jim Carrey dirigia a minivan. Ninguém pediu que ele dirigisse, nós até nos oferecemos para revezar, mas ele recusou e ficou de cara emburrada. O clima estava tenso, eu e meu pai estávamos constrangidos. Daí, o Jim Carrey perguntou se nós fumaríamos um baseado. É claro que nós fumaríamos, nós adoraríamos fumar, nós tínhamos o fumo. O problema é que nós pensamos que ele era um policial à paisana. Nós pensamos que ele fosse um policial, mas ele só estava com um figurino. Saber que aquele policial era o ator Jim Carrey nos deixou muito tranqüilos. Ele era uma pessoa muito agradável. Sabe todas aquelas caretas que ele faz em seus filmes? Ele realmente sabe fazê-las, não é nenhum dublê, como meu amigo Marcos sempre insistiu em dizer. Então nós chegamos na festa que Clint Eastwood nos havia convidado, mas quem tinha alugado o hotel àquela noite foi a Xuxa. Clint certamente escreveu errado no convite. Clint nunca daria uma mancada dessas comigo. Certamente não. Eu não me aborreci porque fiquei horas conversando com o empresário Edson Arantes do Nascimento, enquanto o jogador Pelé dava investidas contra a anfitriã. O empresário Edson Arantes do Nascimento é realmente um cara muito legal, mas cheio de manias, entende? O legal foi saber do seu ponto de vista muito peculiar sobre as questões do Sudão nos dias de hoje. O empresário começou a me encher um pouco o saco, e eu resolvi me juntar ao guitarrista Ronnie Wood e ao bailarino Jean Claude Van Dame, que estavam se embebedando e agarrando modelos em começo de carreira contratadas para a figuração da festa. O bailarino nos abandonou logo que foi convidado para um ménage com a anfitriã e o maior jogador de futebol de todos os tempos. Ronnie me convidou para dar um teco, eu disse que estava bem assim, mas que o acompanharia até o banheiro. Quando o guitarrista saiu de sua cabine, sugeriu que nós invadíssemos o banheiro feminino. Meu pai, que nessa hora usava o urinol coletivo, disse que aquilo era uma idéia terrível, mas Ronnie falou que ele estava completamente ultrapassado e fora de moda. Eu disse que talvez fosse uma boa idéia ouvir meu pai, mas Ron gemeu “Hmmm.... oooooh” e completou que eu poderia ouvir meu pai ou ir parar nos tablóides com um Rolling Stone, e aquilo foi o suficiente para me convencer. Nós pegamos a tubulação de gás, já que atravessar o corredor era óbvio demais. Viramos à esquerda logo que passamos pela big band de ratos cegos, e o guitarrista rolante falou “É aqui!”. Nós pedimos um delivery de armamentos pesados — que chegava em 14 minutos ou seu pedido grátis! Eu comecei a jogar as bombinhas de fumaça, enquanto meu novo melhor amigo de todos, o guitarrista Ronnie Wood, soltava os morcegos programados para enroscar em cabelos femininos. Depois que todas estavam imobilizadas por nossas feras e em nossas miras a laser, nós as separamos em grupos: um com mulheres bonitas bem-arrumadas, um com mulheres bonitas deselegantes e outro com todos os tipos de mulheres feias que lá se encontravam. As mulheres bonitas e deselegantes foram levadas ao paredão, onde seriam tortutadas e executadas por Bill Wyman & John Entwistle. As mulheres feias em geral foram vendidas como escrava a Don Quixote, que havia sido contratado para fazer mágica para uma coleção de bebês de proveta. Nessa hora, meu pai entrou no banheiro com uma taça de champanhe para comentar que no grupo de mulheres feias, em geral, havia muitas jeitosinhas que não mereciam ser dispensadas e que havia um pastel de tofu delicioso que deveríamos experimentar. Nós demos algumas das bonitas e arrumadas a ele de presente, a fim de que ele as levasse para tomar champanhe, comer tofu e fazer uma orgia. Das restantes, algumas foram entregues ao Hulk para que ele desse uma morte rápida a elas, e as duas com ar mais esnobe e olhar mais arrogante ficaram para serem estupradas por mim e Ronnie. Ronnie levou sua nova acompanhante para o bosque, pois lá ele se sentia mais à vontade e dizia que seu sangue circulava melhor ao ar livre. Já eu resolvi simplesmente trancar a porta do banheiro feminino e realizar minha cota de travessura ali mesmo. Ninguém na festa se importava com nada, tinha cinco mil trezentos e cinqüenta e sete convidados, e mil e setecentos e vinte e nove penetras, além, é claro, de quinhentos e quarenta e dois serventes, e por volta de vinte e dois banheiros femininos. Todos estavam muito entretidos assistindo ao violonista e filho do cão Robert Johnson tocar suas composições inéditas ao piano. Eu disse para minha garota que não tinha intenção de machucá-la, eu só queria parar num tablóide fazendo traquinagem ao lado de um Rolling Stone, prometi que eu seria educado e a amaria pra sempre, do fundo do meu coração. Naquele momento eu amava muito aquela mulher e torcia pra que ela me amasse também. Eu perguntei seu nome e ela respondeu que era Rebeca. Rebeca tinha cabelos ruivos naturais, algo entre o fogo e a cenoura, pele branca como a neve, mas muito longe da palidez e falta de saúde, e seu corpo era algo realmente muito especial para receber qualquer tipo de comentário. E eu amava muito ela. Eu rasguei toda sua roupa, deixando Rebeca totalmente nua, e amando muito ela. Eu beijei seu corpo todo, e entrei em Rebeca. Horas depois que suas lágrimas de humilhação já se haviam transformado em lágrimas de prazer e que todos os músculos de seu corpo já se haviam contorcido junto ao meu, ela disse que me amava também. Eu me ajoelhei, tirei o buquê e o anel da cartola e pedi que Rebeca se casasse comigo. Ela disse que também me amava, mas que estava noiva de um mezzo-baiano que cantava na melhor banda do país, uma com um nome muito ruim, alguma coisa sobre a cor azul. Eu perguntei se ele já a havia feito sentir-se tão bem assim, e ela disse que isso não estava em questão e que o ponto principal era que ela deveria ser fiel a sua palavra. Eu fiquei possuído por ira, joguei Rebeca no vaso sanitário, puxei a descarga e, enquanto ela descia rodopiando rumo ao esgoto, eu gargalhava e urrava que ela não era nada pra mim e que eu aceitaria a Madonna de volta! Eu saí do banheiro bufando, perguntando por Ronnie, exigindo que ele me encontrasse. Cruzei com meu pai, que agora bebia algum Johnnie Walker, e ele me disse que tinha conhecido as mulheres de seus sonhos e que assinou um contrato de casamento com as nove mulheres do grupo bonitas e arrumadas que nós lhe demos de presente. Ele disse também que tinha visto o guitarrista Ronnie Wood fugindo num Jaguar que não lhe pertencia e que arrancou da garagem, derrubando o portão e seguindo pela rodovia a uns cento e vinte quilômetros por hora. Eu xinguei Ron com as mãos para o céu e disse que, como meu melhor amigo, ele não poderia ter feito uma coisa dessas! Nessa hora, barulho de freadas de carro e rodopios de hélice de helicóptero invadiram a casa, misturados com fortes luzes de canhões de busca. Foi aí que o Batalhão de Operações Especiais da polícia adentrou a casa, regido pelo ator Jim Carrey, que era seguido pela banda do colégio militar. Jim Carrey empunhou o megafone e declarou ordem de prisão a todos naquela festa. Eu perguntei do que aquilo se tratava, se era uma pegadinha ou se o filme estava sendo rodado lá e eu não tinha sido informado. Ele me disse que, na verdade, ele sempre foi um militar interpretando um ator civil e que eu não poderia mais chamá-lo de Jim, e sim de gal. James Eugene Carrey e que eu seria preso por formação de quadrilha, aliciação de menores e por muitos outros motivos que ele preferia não citar para não agredir os ouvidos dos muito inocentes ali presentes. Gal. James Eugene Carrey ainda sussurrou ao meu ouvido que tinha pego Ronnie numa blitz, mas que, para sair limpo, disse tudo sobre mim. Maldito Ronnie! Ele me disse, ainda, que sabia tudo sobre Rebeca e que eu ia fritar na cadeira elétrica. Eu berrei que ele não sabia nada sobre Rebeca e que se soubesse estava errado, pois nós nos amávamos e nós iríamos nos casar. Ele riu de mim, me chamou de lunático e disse que iria gozar nas calças quando me visse queimando na cadeira elétrica. Eu precisava de Rebeca do meu lado. Só ela realmente me conheceu e me entendeu bem o suficiente para me apoiar nesse momento de tensão e desespero e, oh, como eu amo essa mulher! Com um tapa atrás da orelha, eu parei de pensar em minha amada e voltei para a realidade. Olhei em minha volta, tentando solucionar o problema, e vi que aquele cão amigável que ajudava o Sebastião a solucionar a história sem fim, bebia um martíni e conversava com algumas modelos. Eu berrei pra ele que dava cem pratas pra ele me tirar dali bem depressa. Ele respondeu “Fechado!”. Eu pulei na garupa dele, joguei uns canapés em sua boca, fiz um carinho atrás da orelha e disse que não lembrava seu nome, se ele não se importava de chamá-lo de Totó, que era o nome mais comum dado aos cães na minha terra natal. Ele disse que era uma honra trabalhar comigo e que, por mais cem pratas, eu rodava com ele à vontade, por tempo indeterminado. Então nós fomos até a estação de esgoto mais próxima, buscamos Rebeca, e eu disse a ela como eu estava arrependido e que ela era mulher da minha vida. Rebeca disse que me perdoava e que nunca havia deixado de me amar. Nós nos beijamos. Um beijo demorado e molhado, com um abraço apertado e muito amor. Rebeca subiu na garupa do nosso amigo Totó, me agarrou pela cintura e nós partimos para Las Vegas, onde eu comecei minha grande carreira como cover de Elvis Presley gordo e fui feliz para sempre — com Totó, como meu empresário e Rebeca, preparando pratos fantásticos e deixando tudo arrumado para quando eu chegar em casa exausto banquetear, satisfazê-la e ter boas noites de sono e nunca me lembrar que um dia eu não tive essa mulher ou que eu já fui traído pelo novo guitarrista dos Rolling Stones.

 

 

 

 

 

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