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Beatriz Pedras
A bienal do Livro de BH pelo olhar de uma menininha de 3 anos e meio
O que será uma buenu do livro que a vovó e a Tia Ana estão me convidando para ir visitar? O livro já conheço e é meu grande amigo desde que era pequenina, porque agora já sou glande. Me explicam que é um lugar cheio de livros e onde eu poderei pegar os que eu quiser para ler. Parecido com a biblioteca em que a vovó trabalha.
No caminho, fico ansiosa: já chegamos? Mas está muito longe! Por que está demorando? Afinal o carro parou. O lugar é muito grande e cheio de gente. Isso me deixa um pouco assustada, mas nada que um colinho aconchegante não resolva. E como tem criança! Estão todas alegres e animadas, e eu fico também.
As novidades começam a chegar. Logo no começo encontro muitos livros novos. Algumas histórias eu já conheço, mas a capa e os desenhos são diferentes. Conta para mim, Tia Ana, a historinha da Cigarra e da Formiga. Mas tem a da Raposa e das Uvas; eu quero ouvir essa. Gosto muito de ouvir as fábulas, mas algumas palavras são meio difíceis e logo começo a me distrair. Que bom! Vovó achou o livrinho da família do Trully, meu cachorro. Ah! Esse está bem mais fácil e eu quero esse. Você compra para mim, vovó?!
Com a sacolinha no braço, vejo um pipoqueiro. Lá vem minha tia com um saco de pipocas, e eu adoro pipoca. Pena que atrás dela estou vendo um coelho gigante. Quero voltar. Vovó me explica que é um moço fantasiado de coelho, mas eu não gosto. Prefiro os coelhinhos pequenos, que posso segurar no colo.
Damos meia volta e saímos em busca de mais novidades. Em cada loja encontro mesinhas com livros e cadeirinhas do meu tamanho, onde posso sentar e folhear os livros: do gatinho, do cachorrinho, da Arca de Noé, do Charlie e da Lola...
De repente vejo uns fantoches. Tem do Chapeuzinho Vermelho... Será que tem do Lobo Mau? Achamos. Como adoro contar as historinhas que conheço, vovó me pergunta se quero um fantoche. Prefiro do Chapeuzinho porque na minha casa não tem floresta, então não posso levar o do Lobo Mau. Junto com o fantoche, ganhei livrinhos dos animais selvagens — do tucano, da cobra, do rinoceronte, do tubarão... Depois foram dez revistinhas para colorir.
Depois de um tempo, com algumas sacolas e o cansaço chegando, pedi para voltar para casa. No carro mesmo já começamos a ler uns livrinhos.
Segunda-feira, quando eu for para a escola, vou contar, na rodinha, para todo mundo como foi boa a buenu do livro!
A 1ª Bienal do Livro de Belo Horizonte aconteceu de 15 a 25 de maio de 2008. Em onze dias, 225 mil pessoas passaram pelo local — das quais 28 mil, pela visitação escolar e 197 mil, público em geral. Nesse pequeno conto, narro a bienal pelos olhos de minha neta, porque o evento teve como principal participante o público infantil. Longe das pretensões literárias, espero que este texto sirva como uma recordação para minha neta, recordação esta que compartilho com os leitores do jornal.
A coluna Bolhas Geraes é dedicada aos nossos leitores e colaboradores mineiros, que, desde a edição #13, recebem o plástico bolha em diversos pontos de Belo Horizonte. Envie também os seus trabalhos para jornalplasticobolha@gmail.com
Esse texto foi publicado no plástico bolha nº22: download PDF