Cadastre-se para receber atualizações do plástico bolha via e-mail:

 

 

 


O que tem de ser tem muita força

 

Por isso, a cada manhã,
os olhos da cidade abrem-se nas janelas
para receber o sol,
as moças acordam e perfumam os seios,
      flutuam nas salas,
         deslizam nas calçadas,
os gatos conversam com os fantasmas das casas,
as empregadas limpam os vestígios do dia,
os homens calculam a geometria dos gestos,
os carros costuram a urdidura das ruas,

enquanto eu, aqui neste quarto,
evoco a voz da tia-avó pontuando o mistério:
o que tem de ser tem muita força...

Por isso o sangue pulsa, a fruta cresce, o corpo busca.
Por isso envelhecemos.
Por isso os peixes sabem a fundo
                         aquilo que não sabemos,
e os prédios sobem
                e os ventos mudam,
e os pássaros – ah, os pássaros – os pássaros cantam
para toda a luz que dança por cima das águas:
para os amantes, os loucos, as crianças,

 

enquanto tia Zezé se balança na cadeira de palha,
sussurrando aos ouvidos da minha infância:
o que tem de ser tem muita força.

 

 

 

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº21: download PDF

 

 






 

 


 

Copyright - Jornal Plástico Bolha - 2008 - E-mail: redacao@jornalplasticobolha.com.br