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Criança

 

Hoje cruzei a esquina do mundo.
Experimento as mãos de velho veludo
e o pulso responde
sacoleja o coração desbotado.
Ainda era criança
quando amava o teu corpo pequeno.
Neles sempre tuas mãos, baças
telúricas:
uma se assenta em um joelho,
firme. E o teu peito
o teu peito.
Antes a tua luz, os teus cachos
caindo em chuva sobre os ombros
primavera esperada:
teu flanco
tua perna de mulher por um triz.
Hoje te ofereço meu sorriso sem fósforo
te imponho o eixo arbitrário da minha pelve
e a tua boca vai se abrindo, estranha e velha cicatriz
e sem fingimento toda te acendes.
Liga-te a vida se não te apagas.
Imagino a vida que há de vir do oculto do teu ventre
nadando em teu lago tão distante
na gema de todo teu caos.
Imagino-te mãe, ah tão violentamente imagino-te mãe.

 

 

 

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº21: download PDF

 

 






 

 


 

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