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Amargor

Como o lavrador espera
O rico fruto do solo
Conformado, paciente,
Assim eu não sou, me angustio.

 

Como o pescador aguarda,
Silente, o peixe morder,
Respeitoso, resignado,
Assim eu não sou, me atormento.

 

Como a terra, confiante,
Recebe as últimas chuvas,
Penhorada, reverente
Assim eu não sou, me incomodo.

 

Como a noite, destemida
Se guarda para o amanhã,
Reluzente, luminosa
Assim eu não sou, me amarguro.

 

De que riem? Não é chiste.
Se as noites são alegres,
As manhãs são tristes.

 

 

 

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº20: download PDF

 

 






 

 


 

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