Aqui volto mais uma vez
à tecla que tanto pressionei.
A repetição maçante, transformei.
A antiga postura se desfez.
O buscador desliza com calma
no mar gelado, abundante e lilás.
A lua ganha vida no coração do aventureiro.
É uma busca maior que sua alma.
O fim se dispõe no horizonte
Ora surpreende nas pedras e nas flores,
ora nos choros, risos e amores.
Inconsciente, bebo e vivo da fonte.
O corpo é um veleiro complexo,
que se embriaga de água salgada,
que rasga as ondas e encanta
a si e a outros veleiros que perpassam.
Sempre haverá veleiros mais bonitos.
Muitos se movem para a mesma lua,
confundem uns aos outros e brincam
das maneiras mais diversas.
Tantas artimanhas do caminho.
Tantas esperanças esvaziadas.
Brincadeiras pobres são ensaiadas.
Devo eu velejar sozinho?
Enquanto sofro e despedaço,
a lua dança nas curvas do oceano.
Perfuma e desafia o eu tirano.
Ignorante, não percebo seu abraço.
Mas hei de me encantar com a procura,
de apreciar os sabores com calma.
Extrair do vazio a doçura
e alimentar as potências de minh’alma.