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O veleiro, o oceano
Dimitri Merino

 

Aqui volto mais uma vez
à tecla que tanto pressionei.
A repetição maçante, transformei.
A antiga postura se desfez.


O buscador desliza com calma
no mar gelado, abundante e lilás.
A lua ganha vida no coração do aventureiro.
É uma busca maior que sua alma.


O fim se dispõe no horizonte
Ora surpreende nas pedras e nas flores,
ora nos choros, risos e amores.
Inconsciente, bebo e vivo da fonte.


O corpo é um veleiro complexo,
que se embriaga de água salgada,
que rasga as ondas e encanta
a si e a outros veleiros que perpassam.


Sempre haverá veleiros mais bonitos.
Muitos se movem para a mesma lua,
confundem uns aos outros e brincam
das maneiras mais diversas.


Tantas artimanhas do caminho.
Tantas esperanças esvaziadas.
Brincadeiras pobres são ensaiadas.
Devo eu velejar sozinho?


Enquanto sofro e despedaço,
a lua dança nas curvas do oceano.
Perfuma e desafia o eu tirano.
Ignorante, não percebo seu abraço.


Mas hei de me encantar com a procura,
de apreciar os sabores com calma.
Extrair do vazio a doçura
e alimentar as potências de minh’alma.

 

 

 

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº19: download PDF

 

 






 

 


 

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