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Anjo e lagarto

 

Meu amante é mistura de anjo e lagarto,
De lagarto tem um ar rastejante,
Serpente que ganhou pés, mãos
E língua bífida;
De anjo tem um par de asas
Que se abrem sobre mim
Como cisne no lago.
De lagarto tem o olhar contemplativo
De quem fica horas imóvel
Sob o sol;
De anjo tem o poder
De conduzir astros,
De executar leis,
De tornar-me rainha.
Quando lagarto
Posso feri-lo,
Cortar-lhe a cauda
Que se regenera;
Quando anjo
Posso derramar azeite quente
Em suas costas
E traí-lo.
O lagarto
Foi um pássaro gigante,
O anjo,
Uma aspiração impossível.
Meu amante é mistura de lagarto e anjo,
De anjo e lagarto,
Sou mulher
E temo a raça dos demônios.


Raquel Naveira
Mestra em Comunicação e Letras pela Universidade Mackenzie (SP) e doutoranda em Literatura Portuguesa na USP. Por seis anos, apresentou o programa literário Prosa e Verso, no canal universitário. Atualmente leciona na Universidade Santa Úrsula.

 

 

 

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº18: download PDF

 

 






 

 


 

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