(A Perna de Cassandra)

Quando caminho, apenas meio
Passo dou. O outro é obra do estorvo.
Assim, cada estrada que não veio
Saúda-nos com o medo do novo,
O medo, de novo. Qual pressa que nada!
Eu e meu camarada nos entendemos
Às maravilhas. Diante de terrenos
Movediços, seguimos nossas pisadas.
A perna fantasmagórica toma
A dianteira e, como bengala,
Tateia o lodo onde segura, se entrona
Para enfim avisar-me onde resvala.
Paro, medito, mudo o rumo e sigo.
Para trás, mais uma vez — onde o medo é antigo.