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Desde a edição passada , o plástico bolha está propondo sempre desafios para os amantes da poesia . Nesta edição, o desafio é escrever um poema sobre um objeto: o sabonete. Vejamos a seguir os poemas que recebemos. Para a próxima edição, o objeto será “a amêndoa”. Todos estão convidados a trovar o fruto da amendoeira e a sua semente, basta mandar seu poema sobre o tema para o e-mail do jornal.


 


Sabonete
Gustavo Paes

Deixa-me cair de alturas imensas no chão num emaranhado de pêlos
                                                               [molhados e nojentos
arrastam-me por suas peles a minha pele que se renova todo dia até me
                                                                                       [parecer
morrendo como tudo que morre a todo tempo nessa ingrata forma de
                                                                                        [viver
quadrado e aos poucos me distanciando em espumas de sofrimentos
cansado dos sovacos das unhas das melecas dos pés fedorentos
suo o insulto do sulco de sepulcro das soltas sujeiras a descer
escorregando com o meu contato com as partes a esconder
quando se não pode mostrar a quaisquer ventos
empoeirados a jogar em mim toda a solução
oh por que não sou a molécula do músculo
que fosse pelo menos um líquido sabão
deus por que nasci um corpúsculo
que jamais morre na mão
vive minúsculo

 

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº18: download PDF

 

 






 

 


 

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