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A essência das vogais

As vogais não têm cor, como já pensou Rimbaud, não têm cheiro, como a flor, não têm gosto, só no emprego, e certamente não têm medo; não acordam nunca cedo para irem trabalhar. Mas elas têm, sim, essência, pois qualquer consciência vai notar a tendência – ou será uma insistência mascarada em coincidência – que nós, seres humanos, temos na letra “a”. De Alá a abracadabra, essa vogal inerente está sempre presente nos discursos e nas palavras de qualquer tempo e região. É fato que Saussure a pensou bem arbitrária e a posteriori predicou variedade sem notar nenhuma igualdade nem qualquer forma de padrão. O padrão existe, sim, e está exatamente na relação tão veemente – seja toante ou consoante – que sentimos diante do acaso e que, por acaso, nos faz dizer: “ah!”. Mas ele nem precisava ter percebido tudo isso, bastava só ter lido o seu próprio nome escrito, em que a soma das vogais “a” com “u” dá numa nova: “oh!”. E não digo nada mais da essência das vogais, que o digam os poetas na sua ânsia tão correta de torcer com a linguagem, numa volta à infância, onde tudo é assonância.

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº17: download PDF

 

 






 

 


 

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