a Humberto Espíndola

É estranho o cupim do boi!
Uma corcova,
Um toutiço,
Um montículo de pregas
Sobre o dorso do zebu.
Um pássaro pousa sobre o cupim alvo
Como duna no deserto,
Enquanto o touro
Rumina do estômago à boca,
Da boca ao rim,
As gotas de sol no capim.
A corcunda gordurosa
Parece uma cabeça no capuz,
Um muçulmano que se esconde
Sob o couro
Que bloqueia a luz.
Há movimento de cosmo
Nas ondas de pele
Desse boi recurvado,
Pronto para ser jogado às piranhas
Em ritual de sacrifício.
Na invernada,
A tristeza do boi
Me atinge
Em punhaladas.