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Cartinha de quem ama

Camilo Pinheiro Machado


Cala a boca. Não interessa se você se arrepende. Repito, fecha a boca, porque quem vai falar agora sou eu. Fiquei quieto demais. Brincadeirinha pra cá, mentira pra lá. Não gosto de gente que mente assim. Repetir inverdades necessárias é um hábito saudável, que conserva relação, respeito e até o tal do amor. Me devolve o cd, rasgue as minhas cartas, não me procure mais, assim será melhor, meu bem.

 

As horas lentas de ciúmes que eu previa nem aconteceram. Calma aí, já te disse: tive ciúmes poucas vezes na minha vida, mas foram senhores ciúmes, de deixar triste, abatido.


Se manda menina, porque nem menina tu és mais. Tem o mau-caratismo das garotinhas e a covardia das experimentadas.

 

Esquece, gosto de você. Passe a borracha nesta minha cartinha, passe aquele batom, vista aquele vestido, o perfume daquela festinha na praia, lembra?! Esse mesmo. Relaxa...

Eu também não sou boa coisa.

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº17: download PDF

 

 






 

 


 

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