A partir desta edição, o plástico bolha proporá sempre desafios para os amantes da poesia. O primeiro deles trata-se do exercício de tradução “às cegas” de uma língua totalmente desconhecida, o húngaro. Vejamos a seguir o poema original, e as “traduções” que nossos colaboradores enviaram. Para a próxima edição, o desafio será escrever um poema sobre “o sabonete”. Todos estão convidados a trovar sobre este tema tão escorregadio, basta mandar seu poema sobre este objeto para o e-mail do jornal.
Néma taj
Demény Zita, grande poeta húngaro
A taj még alszik,
néma csend honol,
nem szól a madárdal
a fákon, patakparton.
Néhol egy gally
meg-megrezzen,
lágy szellö lengeti,
bus nótáját énekli.
A forras nem csobog,
nem zenél,
csak csendben ül
a szikla tetején
Am ha jö a tavasz,
ébred taj,
leveszi minden
szomorú zászlaját.
Tal do Magarefe
Luiz Carlos Nascimento
o tal do magarefe
com jaleco sujo
quis matar o urso
correu na Patagônia
bebeu água e amônia
saiu pelado
sem vergonha
o frio do estado
foi às forras
congelando até dentes
imagine os pertences
que ele não guardou
escorregou e levantou
mas logo derrapou
e o bicho abocanhou
sacudiu e o soltou