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Destino (Fate)

Ricardo Sternberg (tradução de Marilena Moraes)

 

No número passado, publicamos o primeiro poema que o poeta Ricardo Sternberg, professor de Literatura Portuguesa e Brasileira da Universidade de Toronto, enviou para o Plástico Bolha. Nesta edição, trazemos o segundo poema de Ricardo, que, junto com o anterior, são parte da série These Stories (Estas Histórias). Ambos foram traduzidos por Marilena Moraes, com a supervisão de Paulo Henriques Britto.


Fate

 

Time passes and heals all wounds
then passes some more and scars
are effaced and the memory gone
of that most fateful afternoon
now that he is in a different city,
under a different climate and time zone
so that as he sits on the deck to survey
this coast, the very air seems saturated
with light, a golden pollen of promise
inducing a lotus-like torpor, a letting go
on the most curmudgeon of spirits,
never mind this man, inveterate optimist
who believes, ha ha ha his time has come
at last, his ship has sailed into port
when off camera, of course, some malignant
agent is moving and a dark cloud
is about to blot out his sun.



Destino

 

O tempo passa e cura todas as feridas
passa mais um tempo e as cicatrizes
se apagam e vai-se a lembrança daquela tarde fatal
agora que ele está em outra cidade,
num outro clima, num outro fuso horário
e assim quando ele senta no deque para observar
o mar, o próprio ar parece saturado
de luz e um pólen dourado de promessa
induz a um torpor como o do lótus, uma distensão
mesmo na pessoa mais mal-humorada,
quanto mais neste homem, um otimista inveterado
que acredita que, aha, chegou a hora dele
finalmente, que seu navio chegou ao porto
quando às escondidas, naturalmente, um agente maligno
se movimenta e uma nuvem escura
está prestes a esconder seu sol.

 

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº16: download PDF

 

 






 

 


 

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