Urbanas III
abrir o olho de cada prédio:
ouvir o grito das poças e o
choro dos postes. dar a ver
a cada carro sua consciência
de carro, adormecida. viver
um pouco como viveria um
meio-fio, um caco de vidro,
uma placa de trânsito e ser
um pouco como eles, nem
que seja por uma fração de
segundo. deixá-los habitar
sua alma e passar a ser um
pouco sinal vermelho, um
pouco pedestre, um pouco
fusca que perde o freio e se espatifa em um muro qualquer.