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Um em dois

Dimitri Merino

 

Ele andava barbudo,
pensava pouco.
De noite em Santiago
ficava louco.


Chegou no Brasil.
Foi lá que me pariu.
Voou manso pelo país.
Até mudar de raiz.


A barba se foi.
A loucura se escondeu.
Foi esse novo sujeito
que seu filho conheceu.


O tempo passando...
Traz lembranças aos montes.
O pai, passado, morre.
No coração do novo horizonte.


No espelho, agora, um barbudo.
Abraça, ao telefone, o barbeado.

 

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº14: download PDF

 

 






 

 


 

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