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Doidivanas

Dedos magros ofereciam o seio murcho à boneca nua, náilon louro contra a pele escura, opaca e suja da mulher.

Braços finos aninhavam fraldas, quase trapos, lábios secos murmuravam nananenéns. Àquela hora da madrugada, ela nem se dava conta da espuma de sabão e detergente que escorria de dentro do bar, diluindo o sangue e a urina entre suas pernas.

Fedor de merda e creolina, cachaça e restos de comida.

Dois moleques se aproximaram, sem medo de tão sacanas.

Um puxou a boneca, outro desafiou a mulher.

Mesmo entre dentes, num fiapo de voz, ela reagiu:

— Dá meu neném, filho da puta; tá na hora dele mamar.

 

 

 

 

 

 

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº13: download PDF

 

 






 

 


 

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