Dedos magros ofereciam o seio murcho à boneca nua, náilon louro contra a pele escura, opaca e suja da mulher.
Braços finos aninhavam fraldas, quase trapos, lábios secos murmuravam nananenéns. Àquela hora da madrugada, ela nem se dava conta da espuma de sabão e detergente que escorria de dentro do bar, diluindo o sangue e a urina entre suas pernas.
Fedor de merda e creolina, cachaça e restos de comida.
Dois moleques se aproximaram, sem medo de tão sacanas.
Um puxou a boneca, outro desafiou a mulher.
Mesmo entre dentes, num fiapo de voz, ela reagiu:
— Dá meu neném, filho da puta; tá na hora dele mamar.