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Intenções
Constanza de Córdova

 

Naqueles dias gelados, só restava respirar daquele único jeito pesado que a rinite lhe permitia e cruzar os dedos para que fosse capaz de jogar tudo para o alto, inclusive algumas máscaras que tinham deixado de servir. Não pensar. Mas isto, claro, seria impossível, vivia num mundo de gente grande agora, nada de impulsos sem primeiro esclarecerem-se intenções. Sentada em frente ao fogo com livro e cigarro na mão pensando pensando pensando, que burra, naquela casa cheia de janelas e corredores, ninguém nem ela mesma ali, mesmo ali na luz não era ela nem ninguém. Assim somando-se a paisagem alaranjada uma tosse espessa e uma farpa que penetra vigorosa na sola do pé, tem-se uma perfeitamente despretensiosa meia-noite de segunda, logo antes de ele vir falar de.

 

 

 

 

 

 

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