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Wittgenstein e Hitler



Ué, vocês não sabiam não?

Eles estudaram na mesma escola e nasceram no mesmo ano, parece que com alguns dias de diferença. Mas não foram colegas, porque, ao entrarem nessa escola, o Hitler tinha repetido um ano, ao passo que o Wittgenstein tinha saltado um. Há especulações sobre um certo recalque especial do Hitler com relação ao brilhantismo do Wittgenstein, a quem ele teria chamado de "judeu porco" em uma ocasião. Tem também a história das pretensões artísticas do Hitler, frustrada quando ele teve sua candidatura rejeitada em uma escola de arte, numa época em que o pai do Wittgenstein era um conhecido mecenas; financiava muitos artistas e compositores judeus e não judeus (sob encomenda dele, o G. Klimt pintou um retrato da irmã do Wittgenstein, etc.) Um pesquisador australiano polêmico, chamado Kimberly Cornish, chega a especular que "aquele menino judeu dos tempos de escola", que Hitler cita com desprezo em Mein Kampf, como parte de seu "despertar" anti-semita, teria sido ninguém menos do que o nosso W. Mas parece que isso é meio viagem. O que não é viagem é que W. e sua família foram vítimas da perseguição nazista, tendo sido espoliados em grande parte dos seus bens durante o domínio fascista na Áustria. Para quem quiser conhecer de forma mais confiável e menos vaga este e outros aspectos até bem mais intrigantes da biografia do Wittgenstein, eu recomendo Wittgenstein: o dever do gênio, obra biográfica escrita por Ray Monk e traduzida pela Cia. das Letras em 1995. Outra coisa boa é ver o filme Wittgenstein, do Derek Jarman (disponível, acho eu, na locadora do Estação Botafogo).
Helena Martins, em e-mail enviado recentemente a alguns alunos que se intrigaram com a presença "improvável" das duas crianças na mesma foto.

 

 

 

 

 

Esse texto foi publicado no plástico bolha nº11: download PDF

 

 






 

 


 

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