Eu,
Abrigo absurdo do mundo
Admirador do perplexo
Prisão do tempo disperso
Consolo do poeta surdo
Demiurgo da história
Artífice dos destinos
Antídoto, ou absinto
Gáudio eterno da escória
Eu,
O copo antigo do bar
E por ética anônimo
Luiz Coelho
Eu
Coisificada em pedra bruta
Lapidada a dentes e unhas
Macerada em lenta curra
Eu
Alada em luto
(já posso dormir)
O matei
Isabel Diegues